Introdução
O livro didático “Filosofando” é uma escolha comum quando se trata de encontrar um material que introduza alunas e alunos do Ensino Básico à Filosofia. Desse modo, na prática do PIBID (edital 2022), as bolsistas e os bolsistas depararam-se com a leitura do Capítulo 9 de alguma edição do “Filosofando” sendo oferecida para as classes de Primeiro Ano do Ensino Médio. Anteriormente à análise do capítulo, é preciso ressaltar que esse conteúdo foi direcionado dentro de um componente curricular nomeado de “Socio-Filo”. Essa matéria refere-se a uma fusão entre Sociologia e Filosofia e é ministrada uma vez por semana por meio de, majoritariamente, debates em sala de aula com duração estipulada de 45min para cada uma das turmas que compõem o Ensino Médio.
Análise do Capítulo 09 (“O que podemos conhecer?”) do “Filosofando”
Tendo em vista que “Teoria do Conhecimento”, além de ser uma linha de pensamento fundamental para a Filosofia, compõem o currículo básico do conteúdo de Filosofia para o Ensino Médio, o capítulo “O que podemos conhecer?” foi selecionado para introduzir as alunas e os alunos nessa temática. Assim, após a leitura completa do Capítulo 09, é possível notar dois aspectos acerca da escolha do material.
Em primeiro lugar, o texto, que, supostamente, deveria apresentar uma organização didática favorável às leigas e aos leigos em Filosofia, provavelmente causa no(a) estudante, como sentimento inicial, um estranhamento com o modo pelo qual a Filosofia funciona. Dessa forma, não é possível, a partir do Capítulo 09, estabelecer de imediato uma relação do conteúdo com o modo pelo qual quem está lendo compreende o mundo. Isto é, considerando que essa leitura introduz a classe ao pensamento filosófico, pode-se afirmar que ela é mais eficaz quando se trata de distanciar o leitor e a leitora da prática do pensamento filosófico e de gerar um desinteresse imediato.
Partindo da organização textual, e até mesmo visual, do material, ele é capaz de tornar confuso todo o conteúdo, que é resumido entre muitas lacunas que demonstram a ausência de conteúdos importantes para a compreensão de algum sentido que a Filosofia pode adquirir, o que inclui devaneios conceituais. A seleção do que um(a) aluno(a) de Ensino Médio deveria saber sobre Teoria do Conhecimento, por exemplo, engloba a necessidade de existir questões iniciais com a discussão sobre o que é a Filosofia. Contudo, ao invés de, naturalmente, isso configurar um saber que deveria vir acompanhado de explicações tiradas de uma análise sensata da História da Filosofia, essas questões são deixadas em aberto durante o desenvolvimento do texto.
Adentrando ao aspecto visual oferecido pelo “Filosofando”, é possível afirmar que a organização gráfica do capítulo torna confusa a apreensão de quais são os elementos de fato importantes para compreender a prática filosófica e o que ela pode acrescentar no modo pelo qual pensamos muitos elementos internos e externos. Definições incompletas, ou seja, que evidenciam pouco do sentido real de termos e conceitos da História da Filosofia, são inseridas em observações que prometem elucidar a etimologia e definir algumas terminologias imprescindíveis para que a aluna ou o aluno compreenda o que aquilo está querendo dizer dentro de um contexto filosófico.
Além disso, as imagens selecionadas para acompanhar a narrativa do capítulo também são mal costuradas com o contexto pelo qual elas aparecem. Isto é, as figuras não possuem uma funcionalidade para a expressão de um conteúdo filosófico, tornando a admiração delas semelhante à visita a um livro de fábulas motivada apenas pelas ilustrações, o que faz com que, saindo dele, a mensagem moral presente no final de cada história seja mal compreendida.
Conclusão
Partindo da análise do material utilizado como base para as alunas e os alunos participarem das discussões de sala de aula, a turma de bolsistas, juntamente com o coordenador e professor Marcio Augusto Damin Custodio, selecionaram temáticas na Teoria do Conhecimento. Além de acessíveis ao Ensino Básico, tais recortes resumem em parte o que essa área da Filosofia propõe-se a pensar estruturalmente. Assim, como um produto derivado (i) da observação em sala de aula e (ii) de uma discussão entre os estudantes e as estudantes de Licenciatura em Filosofia e Licenciatura em Ciências Sociais, as seguintes temáticas foram pensadas como uma opção de substituição para a complexidade gerada pela escolha do Capítulo 09 do “Filosofando”.
A origem e o limite do conhecimento:
O embate entre racionalistas e empiristas
Quais as definições para "ciência"?
Qual o limite do que interna e externamente podemos conhecer?
Avanços científicos: até onde é possível conhecer?
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